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segunda-feira, junho 05, 2017

5 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

 O BOI QUE PAGA O PATO



O homem da Amazônia nunca pensou em destruir as florestas da região. Isso é balela de ongueiros

CÉSAR BERNARDO DE SOUSA (*)
Satisfeitos ou tristes, tomamos conhecimento de movimentos pró-Amazônia organizados no Sul-Sudeste brasileiro. Não faz muito, o Greenpeace impôs prejuízos ao agronegócio do gado bovino daqui, em nome da conservação ambiental. Quando vão acabar com o pastoreio dos búfalos ainda não se sabe, mas chegarão lá.
Também não perdem de vista nossas hidrelétricas em construção e as planejadas.  Querem salvar os rios. Abrir as estradas, segundo entendem, é a própria destruição da Amazônia. Liberar licenciamento para asfaltamento de estradas abertas ainda no tempo do governo militar tem sido uma lide, no mínimo, tese de mestrado.
Brasileiros do Brasil ´classe A" defendem a Amazônia da forma que entendem a Floresta Amazônica, o que não deixa de satisfazer os brasileiros amazônidas. ONGs do Brasil "A" e as de dentro da Amazônia e do Planalto Central "defendem" a conservação da Amazônia tão somente ao jeito de suas conveniência. É fato! Quais delas são atuante sem aporte de dinheiro público ou capital estrangeiro, nem sempre privado, "puro de origem"?
Ora, o amazônida propriamente dito nunca pensou em destruir a Amazônia, não por ser do tipo bonzinho e sim pela descapitalização para tanto. Não se consegue derrubar a machadadas uma árvore exemplarmente amazônica, nem abrir estradas a patas de burro ou ao volante de tratores ´jerico´. Não se estendem barragens nos imensos rios amazônicos à maneira dos castores.
Duas pequenas pontes em construção no Amapá, nos extremos Sul e Norte, emendadas uma à outra teriam novecentos metros lineares, portanto impossíveis de construção pelos cofres do Estado ou de cada um dos municípios - Laranjal do Jarí e  Oiapoque. Grandes fazendas de bois ou de soja não são da iniciativa do caboclo empreendedor amazônico, que em maioria não são donos da terra, não acessam grandes financiamentos. Logo, não são os que "destroem".
Portanto, satisfaz-nos perceber que querem salvar a ´biodiversidade´ amazônica do fogo e da pata do boi, mas nos entristece nunca ver no cabeçalho dessas manifestações a necessária preocupação com o homem da e na Amazônia. Volta e meia querem ´salvar´ os índios, de fato são os homens contextualmente principais, mas não só eles.
Querendo, esses ´salvadores´ do Brasil ´A´ e as ongueiras brasileiras, inclusive as daqui, podem verificar quanto temos em escolas, escolas técnicas, faculdades, universidades, hospitais, fábricas, indústria naval fluvial, institutos de pesquisa, centros tecnológicos de excelência, igreja, comércio, violência urbana, crimes, tráfico e tudo o mais que, digamos, nos igualam. Somos, afinal, quase 25 milhões de habitantes ´iguais perante a lei´ e as contas no fim do mês. E temos doenças só nossas – é custoso garantir a soberania da Amazônia brasileira para todos os brasileiros.
Funciona bem por aqui o tripé de sustentação da democracia e da República: temos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário legais, harmônicos e democraticamente constituídos. Aliás, importante dizer: espelhos da sociedade brasileira.
Então, por que imaginar justa e competente defesa da Amazônia excluindo-nos?  O território amazônico é imenso ante o contexto continental do nosso país, e deve ser rico o suficiente para ensejar tantos ´cuidados´, mas eis uma verdade: a conservação de nossa Amazônia só terá êxito se feita pelos amazônidas, devidamente auxiliados pelos brasileiros.
(*) Morador e defensor da Amazônia, em artigo publicado em O Globo, no dia 7 de julho de 2009


terça-feira, março 21, 2017

AMORES INEXISTENTES....

De uns tempos para cá dei de me submeter à lembranças afáveis do passado, do tempo em que, jovem ainda sonhava amar qualquer mulher que por um instante ou tempo deitara os olhos em mim com aparente meiguice.
Tanto eu quanto todos os jovens rapazes daquela pequena cidade nos demos a esse enlevo e neste embalo vivemos dias felizes sem o menor incomodo às mulheres que “amávamos” sem que elas soubessem do nosso amor, uma delas que fosse. Primas, professoras, colegas de escola, vizinhas, de repente eram a nossa “paixão” – muitas vezes em troca de simples corriqueiro, bom dia.
Assim, felizes para sempre, construímos cercas ao redor de nós mesmos quanto a um dia qualquer ter que prestar contas ao próprio passado, como me acontece tão pesadamente hoje.
Décadas depois desse tempo feliz – quando amávamos quem queríamos sem nenhuma necessidade de reciproca – o destino trás de volta ao meu cotidiano essas mulheres, meus amores de ontem.
A internet, o face book quase que as coloca em meu quarto como que a compensar o desconhecimento com que elas passaram e passam alheias pelos meus sentimentos da juventude.
Amei algumas delas e mesmo hoje, décadas após, sem que  qualquer delas desconfie, não me arrisco a contar detalhadamente a história e citar nomes. E que sorte tem elas ignorando que as amei naquele tempo!
Todas se casaram ou se deram muito bem na vida, o que jamais teriam conseguido comigo. Não fui prospero na vida, não consegui bons negócios, nem bons empregos, nem poder politico – fiz-me à poesia, à boemia, à vidinha repetitiva, entregue à solidão, a alguns ou muitos desperdícios, a arrependimentos, a culpas, ao auto exilio.
Continuo amante da lua, do sereno, dos bares, dos cinemas, dos teatros, da literatura e dos sonhos – ainda quero dar a volta ao mundo em pelo menos trezentos dias.    
Reencontro algumas dessas mulheres amadas de ontem e lá está uma rainha do lar dentro de uma soberba mansão, outra como executiva de multinacional, outra dona de um salário até suspeito, e quase todas casadas com homens de negócios....quem diria?
A decência que fez da minha vida um jeito fácil de viver me faz desejar-lhes que estejam e vivam felizes, principalmente as que conseguiram esses extraordinários maridos.
É certo que nesta vida nos dias de hoje nada se cria, segundo essa máxima incontestável no campo dos sentimentos juvenis é provável que os filhos dessas mulheres em idade de se apaixonar estejam repetindo a nós daquele tempo. É que o amor se constrói com o tempo e o tempo destrói o amor, mas nada pode contra a paixão.
Paixão não passa porque é a forma mais feliz de se iniciar na liberdade de sonhar.

    

quarta-feira, janeiro 25, 2017

CONCORDO MAS NO GERAL

“DISCONCORDO”.


Sempre me chegam confusas as teses e as explicações dos agentes de segurança publica acerca das falhas que nos parecem gritantes no cotidiano nacional, com milhares de homicídios insanáveis, policiais matando e morrendo aos montes todos os dias. Aqui no Amapá o diapasão é mais ou menos o mesmo que dá o tom nacional – não há dia que a noticia principal do jornalismo não seja ou se inicie com noticia de morte violenta de cidadãos, bandidos e atentados contra policiais.  
Especialmente não concordo e já não gosto de ouvir, com as teses defendidas pelo Delegado Sávio e pelo atual Secretário de Estado da Segurança Publica deputado Ericlaudio – eles falam de suas teses como se não fosse preciso dinheiro para fazer segurança pública.
Ambos têm mídia à disposição dos seus “projetos” de segurança, basta que concebam um para arredonda-los nos jornais, no radio e na televisão. Na internet nem tanto, ali a contestação é livre e muitas vezes virulenta.
Mas, nem aqui convém a unanimidade, num caso ou outro assiste-lhes a razão. Isso ocorreu em recente entrevista em que ambos falavam da realidade dos presídios no Brasil e aqui em Macapá. Não repisaram o refrão: bloqueio de telefonia celular, coletes à prova de balas, scaner de corpo inteiro, mais muros, etc.
Inspiradamente falaram da inutilidade da proclamada ressocialização de presos no Brasil e aqui, obviamente. Botaram o dedo na ferida nacional: não é possível ressocializar quem nunca foi socializado.   
Eis a questão pura e simples, porém tardia demais para ajudar na solução do processo agora – isto é, nos próximos dez ou quinze anos se modificações contextuais fossem postas em pratica aqui fora desde agora.
A grande tragédia brasileira é esta: seus presidiários nunca foram socializados. Tudo é negado ao cidadão brasileiro e a esta confirmação se pode chagar a partir dos próprios projetos prioritários da nação, emblematicamente anunciados e defendidos aos gritos em todas as campanhas eleitorais, de quais quer níveis que se fazem no Brasil a cada dois anos: Educação – Saúde – Segurança – Habitação....essencialmente.
 
E não se trata aqui de pobreza generalizada, mas de injustiça distribuída às claras. Nesse, momento em algumas cadeias brasileiras estão uns poucos perigosos bandidos nacionais que sugaram o dinheiro publico, bandidos que ontem, enquanto delinquiam, autoridades  encarregadas de conte-los, puni-los, fingiam não perceber que roubavam, delinquiam, saqueavam, alimentavam nas ruas uma legião ou verdadeiras gerações, de jovens que seriam levados aos presídios por crimes que cometeram ou não, mas que lá se tornariam “agentes” autorizados do crime comandado pelos chefes nacionais das gangs criminosas que comandam tudo e todos de dentro dos presídios....onde comem, bebem, domem. São tratados por médicos, seguros pelos melhores policiais do país gratuitamente. Alguns deles ou todos ainda recebem salários maiores do que se pagam à maioria dos professores.
Todos sabemos o que acontece com os presidiários de primeira viagem postos em meio aos bandidos profissionais convenientemente presos: filiam-se e cumprem ordens do crime até que são mortos.
Portanto, não sou mesmo radicalmente contra o que dizem e pensam o Delegado Savio e o Secretário Ericlaudio....de vez em quando falam coisa com coisa.   
            


quarta-feira, janeiro 04, 2017

ANO DE DOR

O ano de 2016 foi duro demais, verdadeiramente um ano de choro. Felizmente tenho um cantinho dentro de casa aonde pude chorar as minhas dores sem contaminações.
Iniciei o ano esperando a lavratura médica do meu atestado “livre de câncer”, expectativa frustrada ainda em fins de abril quando dores intensas me levaram a auto constatação de que o câncer ainda estava em mim – um médico o pré diagnosticou no baço, depois novos exames o admitiam no fígado, no pulmão e por fim, confirmou-se linfonodal. Essa busca se estendeu até agosto, noites e noites de medo, de dor, de choro.
Chorei menos pelo câncer do que pela frustração dos sonhos que construí de nova vida sem ele. Chorei pelo custo e penosidade na realização das dezenas de exames especiais realizados e após recusados por falta de qualidade ou por possibilidade de realiza-los sob tecnologia e maquinas modernas em São Paulo, como ocorreu.
Depois não pude enfrentar sem choro a longa espera pelo inicio do novo tratamento, a suspeita de câncer localizado na veia em função da presença de trombo considerável encontrado na luz da minha veia cava inferior foi outro horror e motivo bem fundado de mais atraso na liberação do protocolo oncológico. Hipótese descartada após concertação de pelo quatro médicos conceituados no assunto.
Fins de janeiro bactérias poderosas infectaram a base do port-a-cath e quase me levaram a uma pericardite aguda – longa busca laboratorial pela determinação da bactéria e hospitalização para cirurgia de retirada e nova implantação do cateter, e após, oito dias de internação sob intenso bombardeio de antibiótico especifico, num total de 6,4 litros injetados. Foi um tempo em que a KPC fazia vitimas em Macapá, no próprio hospital em que me encontrava em tratamento......só chorando.
Apenas em outubro cheguei ao tratamento do novo câncer, novamente submetido ao protocolo FOLFOX 5. Após as três primeiras aplicações os resultados de marcadores nos assustaram muito – os números estavam fora de controle, algo sugerindo que estava no fim a luta pela cura.
Suspenso o protocolo outros vinte e três dias foram consumidos em novas discussões médicas e nova decisão protocolar oncológica – chegamos à FOLFIRI +Panitumumabe.
Espera angustiante, só chorando muito como o fiz. Quando ela veio, somou-se residualmente às três sessões de FOLFOX 5 anteriores e meu corpo explodiu de pústulas purulentas, agravo intestinal, soluço, ânsia de vomito que não se concretizava.
Agora estou  dentro da segunda sessão quimioterápica atualizada com água nos olhos enquanto peço e espero misericórdia de Deus sobre a decisão dos médicos por esse novo protocolo, sobre mim que lhe tenho dito que teria gritado ao seu filho Jesus se estivéssemos agora no seu tempo feito homem aqui na terra. Converso com Deus sem me conter...sempre chorando.
Neste ano de 2017 estarei, se Deus quiser, à disposição do tratamento quinzenal até meio de junho. Deus queira que me erga bem para em julho voltar à casa dos meus pais, em Volta Grande/MG, minha terra e dos meus amigos, de onde saí em julho passado certo de que ali não voltaria mais, nunca mais veria meus pais, meus irmãos, minha gente. Eu tinha terminado uma jornada de consultas médicas em Macapá, Belém, São Paulo e sabia que algo de muito ruim estava me ocorrendo – embarcado no carro chorei copiosamente até o primeiro grande viaduto já no Estado do Rio.
Mas estou bem e cheio de esperança de que em 2017 vou lhes contar uma nova história. 

quinta-feira, dezembro 08, 2016

MAIS QUE UM.

A mídia nacional amanheceu espargindo baba, pelo menos a mídia que ontem apostou na decisão liminar do ministro Marco Aurélio de Melo, do Supremo Tribunal Federal mandando afastar da Presidência do Senado e do Congresso Nacional o senador Renan Calheiros. Essa parte raivosa da mídia nacional não gosta do Renan, considera que seu lugar é na cadeia e não no parlamento nacional.
A Justiça nacional vem dizendo que Renan tem contas a ajustar com a justiça., aliás contas acumuladas que dão ao Renan de hoje o contorno de perigoso criminoso solto pelas ruas junto com criancinhas. A Justiça juntamente com essa parte raivosa da mídia nacional, deixou de punir o Renan a cada crime atribuído a ele até que chegasse à incrível marca de mais de dez processos contra si no próprio Supremo Tribunal. Judiciário e mídia, assim, acomodaram o Renan criminoso do jeito que deu no precioso campo da impunidade que até antes do Juiz Sergio Moro e da Lava Jato era uma certeza para a turma do “sabe com quem está falando”.
Praticamente toda a mídia nacional considera Renan como um dos ainda “coronéis” da politica nacional, e quando pode o coloca acima dos tantos coronéis das igrejas, da indústria, das empreiteiras, do crime organizado e desorganizado, do judiciário, do ministério público e até dos “gerentes” de lixões Brasil afora e adentro.
Renan em sua defesa pode até dizer que espera ansiosamente suas chances de se explicar e se defender das tantas acusações perante a própria justiça....por que não o levam aos tribunais? Marco Aurelio e todos que o apoiaram na intenção de faze-lo no caso atual erraram na origem e por isso ficou a impressão de que Renan se sobrepôs à ordem jurídica nacional.
Durante e depois da votação sobre quem pode e quem não pode permanecer na linha sucessória da Presidência da República não restou duvida de que réus não podem estar. Ponto! Porém, duvidas também não restaram de que o caso, por enquanto, quase se esgotava nessa conclusão. O quase correu a conta de um instituto interno do próprio STF, ícone e dogma, que é o direito de Pedido de Vista ao dispor de qualquer ministro da casa em qualquer assunto. Instituto esse que quando em exercício coloca sub judice o assunto em andamento...qualquer assunto.
Disso sabia sua excelência o ministro Marco Aurélio e sobre isso nunca houve ignorância da parte dos destacados representantes da grande mídia nacional. Nem da pequena mídia, essa em que me vejo de vez em quando.
Assim, os “erros” do Renan, como por exemplo, recusar-se a receber a notificação judicial, entrou para baixo do guarda-chuva popular: “uma coisa puxa a outra”. Ademais, ao contrario de manifestações contundentes como a do jornalista Ricardo Boechat, não há uma Constituição para o Renan. O que há e o que houve foi contornar um erro de um ministro do Supremo Tribunal Federal contra a figura do Presidente do Senado e do Congresso Nacional, que só chega a esse cargo mediante duas eleições constitucionais: pelo eleitor e pelos senadores eleitos.
Afasta-lo daí não é, em principio, prerrogativa do Poder Judiciário, por usurpação de prerrogativas constitucionais do Poder Legislativo. Gilmar Mendes é também ministro do STF, colega de Marco Aurélio quase de mesma cadeira no plenário, e mesmo assim foi ele quem falou em impeachment do colega pelos erros cometidos. Aliás, duvidoso que Marco Aurélio atropelasse um pedido de vista do ministro Celso de Melo, como achou fácil faze-lo com o direito do colega “caçula” Dias Toffoli.  
A mídia raivosa cuidou de abafar essa opinião do ministro Mendes, aliás, polemico sempre, mesmo assim ministro antigo da casa. A mesma mídia sabe que desde o Mensalão que o STF deixou de ser o de antes para quase se transformar num partido politico. Tempos difíceis vive o Brasil, até a sabedoria popular anda confusa: como um erro não justifica outro se uma coisa puxa a outra?      


terça-feira, novembro 08, 2016

PALAVRAS OU ATITUDES?

Gosto da contribuição da mitologia grega em minha vida, encontro nela explicações para os meus erros e força para a jornada. Ontem conheci a esperteza de mais um dos deuses mitológicos – Procusto.
Vi-me, no ato, de volta à minha infância com os meus irmãos em Volta Grande/MG. Na cidade fazia muito frio, em casa o que tínhamos para cobrir eram as pelejas. Suely, Adilson e eu sofríamos menos – éramos menores, baixinhos o suficiente para que nossas pelejas nos cobrissem por inteiro se bem encolhidos na cama.  Celso, Selma e Paulo eram compridos, por mais que se encolhessem pelejavam com a cabeça ou com os pés descobertos.
Procusto é padrasto da peleja, pequeno cobertor ralo. Porém, astuto e mau, tinha duas camas para os seus hospedes. Aos compridos oferecia cama pequena e aos pequenos, grande. Aos primeiros amputava pernas ou cabeças ou pernas e cabeças até que coubessem na cama., dos outros esticava até caberem na cama comprida.      
Daqui para diante a astúcia maldosa de Procusto me remete à realidade financeira do estado do Rio de Janeiro, cujo eco pode retumbar no estado do Amapá daqui a pouco. Pesão é governador Procusto do Rio, Waldez poderá vir a ser governador Procusto do Amapá – ambos têm duas camas para seus hospedes.
Cama curta para servidores que reivindiquem salários mensais pagos integralmente, sem parcelamentos – aí corta-lhes as pernas. Mesma cama para servidores comuns que atrevam a reivindicar salários mensais integrais, correções e reajustes – aí corta-lhes pernas e cabeças.
Cama comprida para servidores especiais - os que determinam seus vencimentos sem tugidos ou mugidos, a esses Pesão Procusto estica bem devagar, com jeito, até que caibam na cama.
Assim, talvez, vejamos o que restará a Waldez Procusto fazer por aqui. Se o fizer farão o mesmo todos os prefeitos dos municípios daqui        


quinta-feira, setembro 29, 2016

CÃO, MÚSICA E CHINA.

Saí à rua hoje por dois motivos muito especiais, caros para mim – ver e ouvir minha neta Jéssica e meu neto Vili cantando a Missa que se celebraria no auditório principal do prédio novo do Ministério Público em honra de Nossa Senhora de Nazaré que por lá peregrinaria, e abraçar o amigo que ao fim da manhã embarcaria para a China com promessa de retornar ao Brasil assim que possível.
Mas entre deixar o portão da casa e chegar aos locais desses objetivos dei com um cachorro estirado meio morto meio vivo numa calçada, contigua ao posto onde podia abastecer o carro. Não era tanta a gasolina que requisitei ao tanque, medida que tenho para a certeza de que foram poucos os minutos que tive para botar os olhos e alma naquele cachorro – nem pequeno nem grande, nem sujo nem limpo. Sofrido como ele só.
Fui-me do posto, lá adiante estacionei quase indevidamente o carro, dei com a portaria e os rigores da recepção cuidadosa da qual e para ninguém o Ministério Publico não abre mão, para em segundos me ver refestelado numa das dezenas de cadeiras poltronas do auditório, dali a pouco capela ou igreja para Nossa Senhora.
Nas quatro primeiras fileiras dessas cadeiras, à direita de quem entrava, estavam os músicos repassando os cantos litúrgicos da cerimonia, entre eles os meus netos. É uma experiência acalentadora para a alma ver e ouvir netos cantando, tanto que fiquei ali fora do mundo em que a santa peregrinava sem pressa alguma e nenhum compromisso com a hora combinada pelo cerimonial, e não ela.
O coral ensaiava como que cantando para mim em desagravo ao adiantando da hora sem padre e santa no altar, que seria mesmo a enorme mesa de serventia àquela sala de reuniões públicas na casa dos fiscais da Lei. Ao enlevo, tendo eu tanta coisa para ruminar ao som de vozes tão especiais, veio-me de volta o cachorro, o potinho de ração e a cumbuquinha de água ao lado, a coleira folgada e suja no pescoço, e o fio nem barbante nem corda prendendo-o na grade, nada disso, no entanto, impedindo que dissesse o que me disse, e que agora me voltava com muita nitidez:
“Pode ser que por minha culpa, mas não vejo porque terminar minha vida desse jeito: corda, ração, água fresca, gente passando, olhando, respeitando, condenando, corpo fraco, ossos ardendo, vista turva, mas nem um outro cachorro a quem possa confiar minhas ultimas palavras....ou rosnados, ou latidos.
Andei por aí virando lixo, outra hora mordendo pneus dos carros em baixa velocidade, em bando atrás de cadela no cio, mas que cachorro em liberdade não fez isso? Não me lembro ter mordido nenhum humano, embora tenha sim rosnado com raiva para uns poucos deles, mas quais? Àqueles que de porrete nas mãos quiseram vir a mim apenas porque fiz pequena menção de me aproximar do irmão que eles tinham bem banhados, escovados, coleirinha delicada no pescoço, essas coisas. Portanto, nenhuma ameaça....aviso de cachorro.
Verdade seja dita, vez ou outra....minto; muitas vezes entrei sim em igrejas, cachorro gosta de sons de sinos, órgãos, corais, cheiro de incenso. Que mal cometi que não seja latir na hora errada no lugar certo? Mas, palavra de moribundo, cantava latindo porque não sabia faze-lo na linguagem humana. É pecado tão grande assim, que me dê por sentença essa calçada e essa corda?
Digo sinceramente, abertamente, corajosamente: cachorro não é burro para teimar indefinidamente. Não há padre ou pastor nesta cidade que possa agora, nos meus estertores, acusar-me de ter feito cachorrada em sua igreja seguidamente. Não sou burro, tenho sentimentos, discernimento  – não que os asnos não os tenham. Mas, nunca fui cachorro suficiente para me oferecer para pontapés tantas vezes num mesmo lugar, ainda que igrejas!
Por ultimo, pergunto a mim mesmo, qual de nós está metido nessa história de petrolão, Lava Jato; quem dos homens com tanta manifestação nas ruas gritou a nosso favor exigindo para já direitos para os cães de rua? Quer saber? Deixa...........”
Padre Rosivaldo iniciou a Missa, que foi do inicio ao fim marcada por belos cantos, muito fervor e devoção à Maria de Nazaré porque outro lugar não há onde haja mais veneração a ela do que no coração do amazônida.
Dali fui às pernas do amigo que já alçava voo para a China, aonde há o costume de não deixar cachorros às calçadas, antes leva-os aos temperos e panelas.