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quinta-feira, maio 31, 2012

MAIS UM PROBLEMA SOCIAL


Passei o dia certo de que o Camilo passou o seu repetindo aos seus colegas palavras minhas a ele: O Ronaldinho Gaucho vai quebrar o Flamengo.
Foram palavras que lhe disse na apresentação do craque à nação rubro-negra e lhas repeti a cada jogo do Flamengo que ele, Camilo, veio assistir aqui em casa como sempre com pompas e circunstancias.
Não lhe dizia isso para chatear – Camilo é meu neto- nem para insinuar que Ronaldinho não joga bola. Ele ainda joga bem.
Mas não ao custo de milhões de reais por mês – argumento meu. Outro: Ronaldinho trouxe pra o Brasil valores europeus – tudo caro, tudo imprescindível.  
Obvio que a historia terminaria como está terminando: cara – 40 milhões de reais; imprescindível – cobrança judicial. Pior de tudo é o que desponta como pagador dessa conta: os pobres.
Hoje mesmo o Flamengo está “captando” 1 milhão de reais para jogar uma partida amistosa ... no Piauí. De repente retorna a Macapá na sua campanha de captação de recursos. E tem camisa 10 do craque vendendo a rodo nas cidades pobres.
Assim sendo este é sim um problema social que se espraia por todo o Brasil. Dizem que em cada 10 brasileiros seis são flamenguistas.
No Brasil pobre é onde tem mais doenças, mais crack, mais desemprego, mais crianças nas ruas, mais tudo sub.
Celebridades como o Ronaldinho Gaucho poderiam emprestar suas preciosas imagens a esse Brasil pobre nos momentos de campanhas de contra ataque às suas mazelas. Mas não, de graça não.
Estamos vendo que de repente a cantora Ivete Sangalo virou atriz. Atriz global.
Aqui em Macapá é useiro e vezeiro vê-la fazendo shows ao peso de cachê alto. Que vai subir à estratosfera a partir do “sucesso” que a atriz e cantora fará por conta de interesses tais, globais ou próprios. Garanto que a verei mais vezes aqui.
Então, como fica? O Fla continuará bem. O Ronaldinho mais rico. Ivete também. Cederão imagens? Quanto mais ricos mais celebres, mais caro vê-los.
Os mais pobres mais se contentarão com pão e circo. Quanto São Paulo pagaria hoje para ver o Flamengo jogar?  E o Rio de (petróleo) Janeiro?

quarta-feira, maio 30, 2012

AMIGAS E AMIGOS


SENSACIONAL O DIA SEGUINTE À NOTICIA DE ONTEM. MUITA GENTE FEZ CONTATO COMIGO, CADA QUAL COM UMA MENSAGEM MAIS ANIMADORA QUE OUTRA, CONFORTANTE, SOLIDÁRIA, EMOCIONANTE. COMO NÃO POSSO ME DIRIGIR A CADA UM, LISTEI ABAIXO ALGUNS NOMES ATRAVÉS DOS QUAIS QUERO AGRADECER A TODAS AS PESSOAS. LEMBRO QUE MUITAS DESSAS PESSOAS ME CHEGARAM MEIGAS E "ATRELADAS" A MAIS TANTAS OUTRAS PESSOAS, SUAS AMIGAS VIRTUAIS. PORTANTO, NÃO É DEMAIS DIZER QUE DEVO AGRADECIMENTOS A MUITAS OUTRAS PESSOAS. 
PORTANTO, COMO DIZIA O ARTISTA FABIO JR: BIGADOUOUOUOUO.  


 Frayne, Lilian, Marilia p, Marilia N, Arcila, Lu, Wagner, Helder, Nathalia, José, Eurenio, Magá, Ive, Jefferson, Fernando, Danilo, Dorivldo, Jamile, Tâmara, Celestino, Santa Cruz, Vitoria, Astalayr, Edvaldo, Rogerio, Daniel, Andrea, Chico, Edgar, Mª Sanches, Mª Angélica G, Mª Angélica P,  Sonia F, Julio, Charles, Cinara, Kumaru, Edvaldo S, Cleuda, Antonio Luiz, Daise, Joana, Mª Rita, Patricia, Mª. C. Oliveira, Mª Inez, Almeida, Gloria, Mª Ercilia, Rita, Catrine, Suely, Sanderley, Mena, Wesley, Dos Anjos, Miguel, Alda, Mauro, P. Tarso, Ruimariza, Abel, Alipio, Cleito, Maria, Aleandro, Alex, Aline, Alice, Ana, Ana V, Antonio C, Cleo, Cristina, Luane, Terezinha, Bruno, Cyntia, Edilson, Edson, Eliezer, Ellen, Joana, Tania, Elton B, Elton, Geisa, Fadinha, Geraldo, Henrique, Emely, Evely, Ivo, Jesse, Jokinha, Jorge, Eliana, Diana, João, Adriano, Josiel, Keise, Leyla, L. Eduardo, Marcelo L, Marcelo N, Marta, Mirella, Mirelly, Monica, Nubia, Paulinho, Pedro, Pérola, Raphaela, Rodrigo U, Ronaldo, Ronize, Rosilene, Rosangela, Rubem, Socorro, Telma, Camila, Ziulana, Andre, Gil, Josy, Elisa,

terça-feira, maio 29, 2012

CARTA A TODOS




Estado do Amapá. Cidade de Macapá. Cidade de Volta Grande. Família.  Caros amigos de boa parte do Brasil. Tenho-lhes ótima noticia:
 “Meu ilustre amigo. Acabei de ver sua biopsia. Nada de maligno. Apenas alterações inflamatórias, com tecido de reparação. Abraço.”
Paulo José Albuquerque Albuquerque:
O Dr. Paulo José Albuquerque Albuquerque é médico e meu dileto amigo. Foi nestes termos que ele antecipou-nos o resultado da biopsia a mim relacionada, desdobramento da colonoscopia de verificação que fiz para ver como me havia um ano depois ante o câncer de intestino que fiz.
O material foi coletado no dia 23/05, o resultado ficou previsto para ser entregue em 29/05.
Talvez não saibam os que me leem a extensão da espera de um resultado como esse se arrastando por seis inéditos dias. Não podem imaginar tudo que pensei, sofri e me angustiei enquanto cada hora desses dias ia passando.
Tantos filmes passaram em minha cabeça neste ultimo ano, e agora estão de volta. O telefonema da enfermeira Inaar que agora a pouco recebi fez-me de volta ao leito hospitalar onde ela e suas colegas me assistiram por catorze dias, no Santa Cruz, em São Paulo.
O filme de agora, enquanto escrevo, me coloca diante do meu pai e da minha mãe dizendo-lhes de como estou segundo esse resultado, e sentindo suas mãos apalpando meu corpo como fizeram ao filho esquelético e doente que viram um ano atrás quando fui encontrá-los no Rio de Janeiro, pois forças não tinha para prosseguir até Volta Grande/MG onde moram.
E o que ouço agora nos ares dessa indescritível cidade solidária de Macapá? Orações! Mas não mais de desespero, nesse momento é de alegria, contentamento pelo teor da noticia. Isso me diz o facebook: a cidade se alegra comigo.
Demos um passo largo para a vitória. Disse demos porque está nisso a medicina do Amapá. Disse que me trataria aqui, mas os médicos do “sistema” oncológico local disseram antes: fique aqui, lute aqui, mudemos coisas aqui.
Mudamos tudo. A peso de choro publico, medo, sofrimento, desesperança, ausências, carências, faltas.
Mas também a peso de iniciativas da Câmara de Vereadores, da Assembléia Legislativa, Sindicato dos Médicos, do esforço dos médicos, da movimentação do governo, da solidariedade do povo amapaense, da santa coragem do Padre Paulo Roberto.
E a imprensa amapaense? Praticamente tudo é devido a ela. Hoje mesmo fui pedir ajuda ao jornal Tribuna Amapaense. Nem foi preciso tanta explicação: o Tribuna já está do lado do Instituto do Câncer “Joel Magalhães” – IJOMA. Diga-se: onde pousasse o pedido encontraria igual resposta. Por mim? Não, temos hoje consciência do que representa o câncer no nosso projeto de sociedade.
Igrejas, fiéis de todas elas que tanto tem nos confortado com orações dou-lhes com alivio esta noticia: “Meu ilustre amigo. Acabei de ver sua biopsia. Nada de maligno. Apenas alterações inflamatórias, com tecido de reparação. Abraço.” Dr. Paulo José Albuquerque Albuquerque.
Deus seja louvado. Não é ainda noticia de cura definitiva, pelo que a luta continua. É preciso avançar até que a maioria de nós, doentes de câncer no Amapá, receba noticia assim.
Façamos assim: 99% de esforço onde houver 1% de chance. CHEGAREMOS LÁ.

OLYMPIADAS 3011 - PARTE II


No mesmo estádio, escondido no fundo de uma cratera vulcânica prosseguem as competições animais: halterofilistas se enfrentam tenazmente.

O elefante se apresenta com um certo ar de “já ganhei”, ou “é mole pra mim”. Nada contra, o bicho é forte mesmo. Mas o que não se devia esquecer é que “jogo é jogado lambari pescado”, muito especialmente entre eles, bichos.

O besouro é grande competidor,  pode ser que não se saia tão bem nesses jogos. Contudo, também está em jogo a proporcionalidade, caso em que vale mais o que parece ser.


A águia é show de bola, e nessa competição dá até espetáculo. Mas, repito, jogo é jogado.

Exagerado como sempre, quem nessa fotografia se esforça tanto para erguer o halter é o crocodilo. O estadio superlotado. Também ele joga no time do “já ganhou”.


Já o exibido da foto é o tubarão. Muito bom para comer perna de surfista, mas vamos ver aqui nessa incrível competição.   
 
Ei aqui o resultado. Em caso de duvida publicaremos as expressões faciais dos torcedores no momento da divulgação das notas. 
 Prosseguem amanhã os jogos animais, a competição será salto em altura. Serão os seguintes os competidores: 
Pulga - Larva de mosca - Gálago - Florican - Salmão.
F A Ç A M  S U A S  A P O S T A S 

segunda-feira, maio 28, 2012

OLYMPIADAS 3011

Esse não é um estadio qualquer. Nesse só entram animais aficcionados pelo esporte, especialmente o de competição. Está localizado na profundidade da cratera de um vulcão, razão pela qual não é nada boa a resolução da fotografia.

Os torcedores são absolutamente especiais, nem sempre cordiais entre sí. Os juizes das competições quase sempe dão causa ao quebra pau.


 Os competidores são chamados às suas posições, contudo há gentilezas entre os animais: o bagre já é retardatário antes mesmo o inicio da competição. A prova a iniciar-se é de velocidade.


  Finalmente  bagre chegou: se queimar a largada outra será organizada.

O bagre, sempre ele, é o bundão da turma. Custou mas chegou, correndo na raia 3.


Embora controverso, o resultado sai com algum imediatismo. A competição se revela democrática e civilizada, como revelam os numeros finais: o bagre atrasou a divulgação do resultado em mais de 50 minutos, mas não teve cerceado seu direito de competir. O problema, sabe-se, que a longa espera encejou uma briga hstórica.

Mas tudo foi pensado para dar certo, inclusive não se esqueceu o direito ao contraditório: repaly.
Aí sim, parou o quebra pau. O lagarto ganhou por um focinho.

COMPRE SEUS INGRESSOS: AMANHÃ? HALTEROFILISMO.

Competidores inscritos: elelefante - águia - besouro - crocodilo - tubarão. 
F A Ç A M  S U A S  A P O S T A S.






domingo, maio 27, 2012

COMO REZAR?




Como você também eu gosto de boa musica, nesse momento ninguém menos que André Rieu está no vídeo da televisão brasileira. No embalo do seu talento vou tentar juntar fragmentos do meu dia de hoje para ao f im deste texto tentar compor uma pequena oração, como pede uma mãe em favor de uma sua criança gravemente doente.
Fragmento 1: Bem cedo encontrei na internet uma mãe pedindo oração para a sua criança, que está com câncer. Não sei rezar tanto assim.
Fragmento 2: Segui para a missa dominical lá na catedral São José, a dois quilômetros. Quis viajar em companhia de Abraão oferecendo seu filho Isaac em sacrifício. Deus lhe pediu em sacrifício de morte o que tinha de mais amado e valoroso. Abraão obedeceu. Resignou-se. Sofreu. Chorou. Foi poupado.
 Fragmento 3: A liturgia da missa de hoje tinha a festa de Pentecoste por fundamento. Jesus ressuscitado ainda permanecendo entre nós diz-nos: A paz esteja convosco. Vos dou a minha paz. Vos deixo a paz.
Padre Lourenço, Pároco Geral, é o celebrante. Fiz a Primeira Leitura (At 2,1-11). Próximo ao final da celebração fui novamente chamado ao presbitério e, surpreendido.
Padre Lourenço lembrou o dia 27 de maio de 2011, quando fiz a grande cirurgia oncológica. Enalteceu minha luta contra o câncer e a favor dos doentes daqui. Fez-me uma benção especial, que recebi e que a ofereci à criança cancerosa cuja mãe encontrei cedo na internt pedindo-lhe orações.  
Fragmento 4: Terminada a missa fui à banca de revistas e jornais – rotina dos domingos. Então li o artigo dominical de Dom Pedro José, nosso bispo diocesano. Começava assim: “Muito tempo atrás existia uma aldeia cujos moradores eram todos muito pobres. O inverno, daquelas bandas, era terrível: congelava tudo. Todos estavam preocupados com um pobre, muito idoso, que sofria demais com os rigores da estação. Com efeito, ele não tinha roupa de frio, mas somente alguns velhos trapos. Precisava de um bom agasalho de lã. O problema era que, naquela vila, ninguém tinha dois agasalhos e também não tinha dinheiro para comprar um. O que fazer? Uma mulher teve uma ideia brilhante.
- Se cada um de nós tirasse um fio da sua camisa de frio, acredito que teríamos lã suficiente para confeccionar um novo agasalho para o pobre velho, ninguém descobrirá o segredo e ninguém sentirá falta de um fio de lã.
Todos aceitaram a ideia. Cada um trouxe o seu fio. As mulheres hábeis no tricô trabalharam bastante e, antes do frio ficar insuportável, aprontaram um bonito agasalho de lã para o pobre. O homem o aceitou com as lágrimas nos olhos, não somente porque o casaco o resguardaria do frio, mas muito mais porque era o fruto da colaboração de todos. Os fios eram de tantas cores diferentes. O pobre, sem querer, lançou uma nova moda: aquela que é fruto da solidariedade.”   
André Rieu foi-se da tela da televisão brasileira, quase não o ouvi dessa vez. Minha cabeça não se desocupava da criança doente.
Hoje sei bastante de câncer: pelo que passei e do que ainda terei que enfrentar. Mas não sei, não faço ideia, não adivinho o que passa e como passa uma criança acometida dessa doença.
 Está chegando a noite, preciso muito dormir. Mas ainda me incomoda não oferecer boa oração para a tal criança. Para outras igualmente doentes também.
Oro então pelas mães dessas crianças ao Deus de Abraão: que também a elas seja poupado tanto sacrifício.        

sábado, maio 26, 2012

REVISÃO- CARROS MARAVILHOSOS

Gosta muito de carros? Quer ver carros muito bonitos? Vamos viajar?



Alfa Romeo

Alfa Romeo


Bucciali 8-32

Bucciali 8-32

Bugatti 57-C

Bugatti 57-C


Daimler Double-50

Daimler Double-50


Delahaye 145

 Delahaye 145

 Mercedes-Bens 710

Rolls-Royce

Rolls-Royce

Voisin C-20

Voisin C-20

Talbot-Lago T-150




Todos carros pré II Guerra Mundial. Um barato! Aliás, digo, carissimos.

SOLDADOS DA BORRACHA

Quer conhecer bem mais do que conhece sobre os "soldados da borracha"? Vá aqui o lado direito e clic:
http://montorilaraujo.blogspot.com

sexta-feira, maio 25, 2012

AMBIENTALISMO OU DESENVOLVIMENTO?

Ontem falei de hidrelétricas na Amazônia e do ambientalismo exarcebado, hoje posto a matéria abaixo que a meu ver dá bem o tom da mesma exacerbação ambientalista. Somos hoje na Amazônia brasileira mais de 28 milhões de habitantes, importadores habituais de alimentos (quase todos os legumes, grãos, frangos, embutidos, etc), mas quando se fala em plantar não se quer discutir antes se há ou não sistemas de produção que nos sirvam. É não e pronto. Que noticias temos de gente morrendo por causa de plantio de arroz no Brasil? Quem no Brasil pode fazer a grande agricultura sem sequer saber o manejo correto de defensivos? Ninguem pode ser a favor da devastação da Amazônia, mas  em mesma medida não se pode sufocar dessa maneira o crescimeno econômico de um povo. Discutamos...


O impacto do plantio de arroz no Marajó
Assunção Novaes, Alessio Saccardo, Ima Célia Guimarães Vieira e João Meirelles Filho*
A proposta de plantio de 300 mil hectares de arroz no Marajó exige amplo debate público sobre o tema, em vista do grande impacto que esta intervenção enseja. A chegada dos arrozeiros nos campos do Marajó se constitui, provavelmente, na maior tragédia socioambiental desde a expulsão da Igreja Católica da ilha no século XVIII. Quem ama o Marajó está muito preocupado com seu futuro.

 A planta é uma graminea. Outras gramineas são nativas na ilha, inclusive o arroz selvagem.
Vale lembrar que estes arrozeiros foram expulsos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, por decisão do Superior Tribunal Federal – STF, por plantarem ilegalmente em terras indígenas (terras públicas federais).
É urgente a realização de audiências publicas nos municípios impactados, a se iniciar por Cachoeira do Arari e Salvaterra, bem como audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará.  Entre as principais temáticas a tratar estão:

Questões sociais e culturais;
- Saúde humana – o uso de agrotóxicos em larga escala, especialmente aqueles lançados por aviões que passam sobre o núcleo urbano de Cachoeira do Arari, constitui-se em forte ameaça, especialmente aos mais frágeis – crianças e idosos;
- Agravamento de risco de doenças – a presença de grandes áreas inundadas, inclusive em períodos de seca, no entorno do núcleo urbano de Cachoeira do Arari, poderá resultar em aumento substancial de insetos transmissores de doenças tropicais (dengue e malária, principalmente), o que precisa ser monitorado;
- Exclusão da participação local – A comunidade local está totalmente excluída. Os moradores da sede de Cachoeira do Arari e entorno das fazendas de arrozeiros são afetados diretamente pelos empreendimentos e ninguém os ouviu!
- Acesso viário – uma comunidade como a de Cuieira ficou rodeada, até sem a passagem para ir ao núcleo urbano. A se aumentar a área de plantio este fato se sucederá para outras comunidades;
 
- Comunidades Quilombolas – qualquer empreendimento de grande porte precisa ouvir as comunidades quilombolas do entorno, como a de Gurupá, em Cachoeira do Arari;
- Patrimônio imaterial – reiteradas denúncias alertam para mudanças substantivas nas tradições locais, como o impedimento de tradições que passavam pelas fazendas hoje em posse de arrozeiros, especialmente da festividade do Glorioso São Sebastião. Empreendimentos de grande porte exigem inventário do patrimônio imaterial;
- Patrimônio arqueológico – por lei, qualquer intervenção de grande porte precisa ser precedida de estudo sobre a existência de patrimônio arqueológico. Ora, sabe-se muito bem, que esta região do Marajó é considerada como uma das que possui maior patrimônio de artefatos de cerâmica do Brasil.

Questões ambientais
- Espécies ameaçadas – inexistem estudos sobre o impacto do empreendimento sobre espécies de plantas e animais consideradas ameaçadas pela legislação estadual e federal. Preocupa, por exemplo, a existência de uma espécie endêmica de arroz silvestre, que poderá ser ameaçada pela expansão do plantio de arroz industrial;
- Inexistência de EIA-RIMA – intervenção de tamanha magnitude deveria contemplar Estudo de Impacto Ambiental & Relatório de Impacto Ambiental, inclusive com audiências públicas e exaustivos estudos socioambientais. Nada disto foi feito!
- Licenças ambientais insuficientes – a licença ambiental concedida pela Secretaria de Meio Ambiente de Estado em setembro de 2010, tratou apenas de um canal e não do empreendimento como um todo. Além disto, definia o monitoramento e a apresentação de relatórios sobre a qualidade da água, o que não foi realizado;
- Modificação da paisagem – ainda que o búfalo e o boi causem enorme impacto, a dimensão da intervenção do plantio de arroz altera, completamente, a paisagem, desviando rios, encharcando vastas, promovendo o desmatamento, com a comprovada derrubada de árvores frutíferas entre outros;
- Acesso à água – ao criar canais artificiais, bombear água do leito de rios em vultosos volumes (que não são medidos) e desviar cursos d’água, a dinâmica natural dos campos do Marajó se modifica, e o próprio acesso a água também. E isto não é devidamente avaliado e monitorado, por meio de testes físico-químicos, como a própria licença concedida pela SEMA exige;
- Poluição da água – a presença de agrotóxicos, o aumento do risco de vazamento de combustíveis e mesmo a modificação da quantidade de oxigênio e de matéria orgânica, da mesma maneira, exige monitoramento e avaliação, uma vez que pode afetar a água que pessoas e animais bebem, e apresentar impacto relacionado à segurança alimentar, principalmente para a pesca de subsistência.
- APA do Marajó – ainda que sem seu plano de manejo, a Área de Proteção Ambiental do Marajó, como determina o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, exige o licenciamento dos empreendimentos de grande porte;

Questão fundiária
- Cidade sitiada – o núcleo urbano de Cachoeira de Arari está cercado, o que impede a sua expansão natural. Cachoeira já estava encurralada, e hoje, praticamente, é uma cidade entre uma fazenda e o rio, é como o homem com as algemas, não pode se mexer.
- Terras públicas x privadas – numa região do Marajó em que a titularidade das terras não está definida, por se tratar de áreas inundáveis, é preciso primeiro definir a propriedade das terras, bem como realizar o zoneamento econômico-ecológico para determinar que áreas podem ser utilizadas e sob que condições.
 É uma das plantas de maior distribuição no planeta.
Questões econômicas
- Geração de emprego e migração – o plantio de arroz gera poucos empregos. Atualmente, a maioria é ocupada por migrantes trazidos pelos empreendedores de fora. Com a expansão da rizicultura haverá forte migração para a região, como ocorre em outros grandes empreendimentos na Amazônia. De que maneira isto agravará a exclusão do marajoara do emprego formal oferecido?
- Distribuição de renda – o modelo de negócio apresentado pelos arrozeiros pouco contribui ao processo de inclusão dos mais pobres da região, ou seja, a maioria dos marajoaras;
- Impacto na infraestrutura viária – as precárias estradas entre Cachoeira do Arari e os portos em uso recebem um tráfego crescente de caminhões articulados de grande porte, afetando a qualidade das estradas, especialmente de suas pontes e passagens, bem como o uso das balsas e prejudicando ainda mais a população, que dispõe de um acesso precário;
- Geração de impostos locais – o produto sai in natura, para ser processado em outras localidades, o que significa baixa capacidade de geração de tributos para a localidade. Além disto, se os ônus relacionados aos arrozeiros estão claros, os benefícios tributários para a receita municipal não o estão;
- Promoção dos produtos locais – diferentemente de outros empreendimentos, os arrozeiros pouco adquirem ou gastam no mercado local, impossibilitando que a economia local se beneficie de sua presença;
O que nos preocupa, mais que tudo, é que os Maroajaras não estão sendo ouvidos, não participam das decisões sobre sua própria vida e território. Mais uma vez, são os outros que decidem sobre a vida do Marajoara. Até agora o que se vê são empreendedores de fora, a cercar tudo, numa postura arrogante, crendo que o dinheiro tudo compra, como se o Marajó fosse terra sem lei ou rei. Pior, não se preocupam em informar a população sobre o que se propõem a realizar, que benefícios acreditam serem capazes de propiciar. Simplesmente, estão desfrutando de um território favorável, desprotegido, e tirando todo o benefício sem que a população dele participe.
                                                         O arros é praticamente um alimento universal
          O Arroz do planeta inteiro não vale a saúde de uma pessoa.É neste sentido que reiteramos a urgência de promover debates públicos em Cachoeira do Arari e nos municípios vizinhos, bem como realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará, para discutir o impacto do plantio de arroz na vida dos Marajoaras.
* Alessio Saccardo, SJ, Bispo da Prelazia de Ponta de Pedras Assunção Novaes (Cacau), coordenador do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM. Ima Célia Guimarães Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi. João Meirelles Filho, Diretor, Instituto Peabiru, Programa Viva Marajó. Assunção Novaes (Cacau), coordenador do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM.
(O Autor)